Pacientes do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) de Apucarana se transformaram em repórteres, roteiristas e cinegrafistas.  Com orientação da equipe da residência multiprofissional da Autarquia Municipal de Saúde, eles produziram um videocast de 45 minutos. A produção apresenta o funcionamento do serviço, reúne entrevistas com profissionais e mostra o CAPS pela perspectiva de quem vivencia diariamente o processo de cuidado. O vídeo foi exibido pela primeira vez nesta sexta-feira (11/09) para os próprios participantes e funcionários.

O secretário municipal de Saúde, Guilherme de Paula, destaca que iniciativas como essa fortalecem o cuidado em saúde mental ao incentivar a participação ativa dos usuários. Segundo ele, além de ampliar o conhecimento sobre os serviços oferecidos pelo CAPS AD, o projeto contribui para reduzir preconceitos, fortalecer vínculos e valorizar o protagonismo de quem está em processo de reabilitação.

A psicóloga residente Joana Braga explica que a proposta nasceu como uma estratégia de reabilitação psicossocial voltada ao desenvolvimento da autonomia. “Desde a concepção da ideia, os participantes estiveram envolvidos em todas as etapas, aprendendo o que é um videocast, construindo os roteiros, definindo perguntas, realizando entrevistas e conduzindo as gravações”, relatou. Conforme ela, a equipe atuou como facilitadora, enquanto todas as decisões criativas partiram dos próprios usuários.

A assistente social residente Júlia Deusdará ressalta que cerca de 20 usuários participaram da iniciativa. Nove estiveram diretamente envolvidos na produção jornalística, enquanto os demais colaboraram em atividades como decoração do ambiente, organização e apoio às gravações. “O trabalho foi desenvolvido ao longo de vários meses, respeitando o tempo deles,  e buscou fazer com que eles apresentassem o CAPS sob o olhar de quem utiliza o serviço”, explicou

A enfermeira residente Fernanda Souza observa que o projeto partiu das dúvidas que os próprios usuários tinham sobre o funcionamento do CAPS AD. As perguntas elaboradas por eles orientaram as entrevistas com profissionais das áreas de psicologia, enfermagem, assistência social e demais funcinários do CAPS psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e demais profissionais, abordando temas como redução de danos, grupos terapêuticos e diferenças entre o CAPS e os hospitais psiquiátricos. Durante esse processo, a comunicação e a expressão verbal tornaram-se ferramentas importantes para fortalecer a autonomia e a participação social dos atendidos.

Para a assistente social residente Letícia Matias de Siqueira, a experiência também contribuiu para romper estigmas relacionados aos serviços de saúde mental. Ao mostrar o cotidiano do CAPS pela perspectiva dos próprios usuários, o videocast apresenta uma visão mais próxima da realidade, evidenciando o acolhimento, os vínculos construídos e o papel do serviço no processo de recuperação e reinserção social.

A psicóloga Caroline Sasso, uma das profissionais entrevistadas no videocast, explica que o cuidado desenvolvido pelo CAPS AD é baseado no respeito às necessidades e aos objetivos de cada pessoa. Segundo ela, o serviço busca construir estratégias individualizadas para reduzir os impactos causados pelo uso de álcool e outras drogas, sempre priorizando o cuidado em liberdade, a convivência familiar e a permanência do usuário em seu território.

Um dos protagonistas do projeto foi Cristiano Valério de Souza, atendido pelo CAPS AD há cinco anos. No videocast, ele apresentou ambientes da unidade e entrevistou profissionais da equipe. Cristiano relata que encontrou no serviço uma referência importante para seguir o tratamento e considera a participação na produção um momento marcante de sua trajetória. Ao assumir o papel de repórter, ele ajudou a mostrar que informação, acolhimento e protagonismo também fazem parte do processo de reabilitação psicossocial.

A produção, intitulada “Do jeito que o CAPS gosta”, ressignifica uma expressão frequentemente usada de forma pejorativa relacionada ao serviço e transforma o olhar estigmatizado em narrativa de pertencimento e satisfação. Construído coletivamente, o videocast encerra com imagens do dia a dia dos grupos e do espaço de convivência, registrando momentos de descontração, conversas e atividades.

 

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