A arte virou instrumento de proteção, acolhimento e conscientização no Cine Teatro Fênix, em Apucarana. No palco, a companhia Circo Teatro Sem Lona apresentou a peça “O Medo de Terezinha”. Na plateia, centenas de estudantes acompanharam atentos uma história contada de forma leve e lúdica, mas carregada de orientação e alerta. Crianças e adolescentes aprenderam como identificar situações de abuso, em quem confiar e quais órgãos podem oferecer ajuda e proteção.
A secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Carrero, destacou que a mobilização faz parte da programação do Maio Laranja, campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual infantil. “Este momento foi preparado para acolher, orientar e proteger os estudantes, reforçando que toda criança tem voz, direitos e deve buscar ajuda sempre que se sentir insegura ou desconfortável em qualquer situação”, ressaltou.
O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Alexandre Machado, afirma que a campanha trabalha a prevenção por meio da informação. “Cada criança que assiste à peça teatral também se torna um canal de conscientização dentro de casa, entre amigos e familiares”, salientou.
Alexandre Machado também explicou que o espetáculo aborda a história de uma menina que sofre abuso dentro de casa e encontra coragem para denunciar a violência após conversar com a professora. “A peça mostra, de forma delicada e lúdica, o papel da escola, do Conselho Tutelar, do CRAS e da rede de proteção no acolhimento das vítimas”, citou.
A programação do Maio Laranja em Apucarana começou no dia 18 e segue até o dia 28, com ações educativas, preventivas e de fortalecimento da rede de proteção às crianças e adolescentes.
No Brasil, o Maio Laranja tem origem no caso da menina Araceli Cabrera Sánchez Crespo, de apenas 8 anos. Em 18 de maio de 1973, ela foi sequestrada, drogada, violentada sexualmente e assassinada em Vitória (ES). Em memória à menina, foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, transformando o caso em símbolo permanente de luta pela proteção infantil
ESCOLAS PARTICIPANTES – A assessora de artes da Autarquia Municipal de Educação (AME), Jordana Valéria Mendes, afirma que foram programadas quatro sessões do espetáculo, duas na terça-feira e duas para esta quarta-feira (uma de manhã e a outra no período da tarde). “O público-alvo foi formado principalmente por estudantes dos terceiros e quartos anos, faixa etária considerada adequada para compreender o tema de maneira educativa e segura”, completou.
Nas apresentações desta quarta-feira, participaram alunos das escolas municipais Plácido de Castro, Presidente Médici, Alcides Ramos, Bento Fernandes Dias, Durval Pinto e José de Alencar. Além da rede municipal, também acompanharam o espetáculo estudantes do Colégio Estadual José Luiz dos Santos, alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e integrantes de entidades sociais, como o Centro para Resgate à Vida Esperança (Cepes).
Já nas apresentações realizadas ontem, participaram estudantes das escolas municipais Doutor Osvaldo Santos Lima, Juiz Luiz Fernando de Araújo Pereira, Karel Kober, José Idésio Brianezi, Luiz Carlos Prestes e Monsenhor Arnaldo Beltrami.
Fundada em 1996, em Maringá, a companhia Circo Teatro Sem Lona se tornou referência nacional ao unir teatro, circo e tecnologia em apresentações inclusivas e emocionantes. Ao longo de quase 30 anos de trajetória, o grupo já participou de importantes festivais e conquistou mais de 70 prêmios em todo o país. O espetáculo “O Medo de Terezinha” é uma das produções mais tradicionais da companhia e foi a primeira montagem do grupo voltada ao tema da exploração sexual infantil.

