{"id":9038,"date":"2017-08-18T17:41:15","date_gmt":"2017-08-18T20:41:15","guid":{"rendered":"http:\/\/172.16.0.7\/site-antigo\/?p=9038"},"modified":"2024-10-08T09:14:40","modified_gmt":"2024-10-08T12:14:40","slug":"encontro-em-apucarana-debate-os-11-anos-da-lei-maria-da-penha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/encontro-em-apucarana-debate-os-11-anos-da-lei-maria-da-penha\/","title":{"rendered":"Encontro em Apucarana debate os 11 anos da Lei Maria da Penha"},"content":{"rendered":"<p>\u201cViol\u00eancia dom\u00e9stica saiu da invisibilidade com a Lei Maria da Penha\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 da Dr. Susana Broglia Feitosa de Lacerda, promotora de Justi\u00e7a da Vara Especializada em Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher e Crimes contra Crian\u00e7as, Adolescentes e Idosos da Comarca de Londrina, e foi dada na noite desta quinta-feira (17\/08), no audit\u00f3rio da subse\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Apucarana, durante o \u201cI Encontro Dial\u00f3gico 11 anos da Lei Maria da Penha: pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher\u201d.<br \/>\nA iniciativa foi uma promo\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Comiss\u00e3o da Mulher Advogada, com apoio da Secretaria da Mulher e Assuntos da Fam\u00edlia da Prefeitura de Apucarana, por meio do Centro de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher (CAM). \u201cHoje se fala do assunto, que antes ficava em quatro paredes\u201d, disse a promotora de Justi\u00e7a. De acordo com Dra. Susana, se hoje existem mais den\u00fancias \u00e9 em raz\u00e3o da conscientiza\u00e7\u00e3o feita a partir da Lei Maria da Penha. \u201cPode-se ter a falsa impress\u00e3o de que mais crimes est\u00e3o acontecendo, mas na realidade s\u00e3o mais crimes que est\u00e3o sendo denunciados\u201d, disse.<br \/>\nApesar das conquistas dos \u00faltimos 11 anos, ela frisou que muito precisa ser conquistado. \u201cH\u00e1 necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas e de a\u00e7\u00f5es do Estado que d\u00eaem cumprimento \u00e0 Lei, que n\u00e3o veio apenas para estabelecer uma puni\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher, mas tamb\u00e9m para prestar atendimento \u00e0 v\u00edtima e ao autor da viol\u00eancia, e nisto n\u00f3s estamos ainda engatinhando\u201d, avaliou a promotora, que palestrou sobre o tema \u201cDireitos e Prote\u00e7\u00e3o: estudos sobre a viol\u00eancia contra a Mulher\u201d.<br \/>\nDe acordo com ela, as medidas protetivas de urg\u00eancia, afastamento do lar, o distanciamento, a n\u00e3o freq\u00fc\u00eancia a determinados lugares, s\u00e3o eficientes em grande n\u00famero dos casos para a v\u00edtima. \u201cMas a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas em algumas situa\u00e7\u00f5es, no que tange o atendimento do autor da viol\u00eancia, ainda \u00e9 um ponto previsto em lei a ser fortalecido. Este agressor vai se juntar a outra mulher e vai novamente agredir. A v\u00edtima que n\u00e3o vai ter uma assist\u00eancia vai voltar para este autor e continuar a sofrer. Por isto ainda h\u00e1 um ciclo a ser quebrado e \u00e9 algo a ser aprimorado dentro do que prev\u00ea a Maria da Penha\u201d, pontuou. Ela falou ainda sobre \u201cuma cultura machista de s\u00e9culos que precisa ser alterada\u201d. \u201cOnde homens foram criados de uma maneira de que precisam ser agressivos, n\u00e3o t\u00eam que falar de seus sentimentos, em que as mulheres s\u00e3o tidas como objeto. E isto n\u00e3o se muda da noite para o dia, principalmente quanto ele se comporta de maneira adversa tem do Estado apenas puni\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma conscientiza\u00e7\u00e3o acerca do seu comportamento\u201d, ponderou.<br \/>\nDoutora Susana, que tamb\u00e9m \u00e9 secret\u00e1ria da Comiss\u00e3o Permanente de Combate \u00e0 Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar em Londrina, defende uma reconstru\u00e7\u00e3o coletiva do pensamento e da educa\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o houver isto, ele (agressor) vai continuar educando seus filhos e filhas desta maneira. Enquanto houver esta desconstru\u00e7\u00e3o, de que determinados pap\u00e9is s\u00e3o s\u00f3 de homens ou s\u00f3 de mulheres, n\u00f3s vamos continuar numa escalada de viol\u00eancia contra a mulher. Um trabalho que deve ser feito nas escolas, nas fam\u00edlias, na sociedade como um todo, mudar as propagandas, as abordagens, refletir sobre as nossas piadas, nossos comportamentos na rua, as nossas rodas de amigos, o que a gente conversa, como a gente reage a uma v\u00edtima que denuncia um estupro, uma viol\u00eancia. Qual \u00e9 a nossa primeira postura? \u00c9 credibilizar e acolher, ou \u00e9 duvidar? A maioria das vezes \u00e9 duvidar. Ent\u00e3o \u00e9 essa a postura que tem que ser mudada\u201d, concluiu Dra. Susana.<br \/>\nAl\u00e9m da viol\u00eancia dom\u00e9stica, a secret\u00e1ria da Mulher e Assuntos da Fam\u00edlia da Prefeitura de Apucarana, Denise Canesin Mois\u00e9s Machado, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos presentes para outra quest\u00e3o que tem em grande parte vitimado mulheres, que \u00e9 o tr\u00e1fico de pessoas. \u201cO Brasil \u00e9 o terceiro no mundo em casos registrados. Onde 86% das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres com idades entre 9 e 25 anos. Conforme dados do N\u00facleo de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas do Estado do Paran\u00e1, de janeiro a julho deste ano houveram 89 den\u00fancias, onde 47 s\u00e3o mulheres\u201d, informou Denise.<br \/>\nDiante desses n\u00fameros, ela destacou que a Secretaria Municipal da Mulher tem a obriga\u00e7\u00e3o de alertar a sociedade local para a exist\u00eancia deste tipo de viol\u00eancia e pode estar acontecendo bem perto. \u201c\u00c9 preciso que saibamos identificar quando uma mulher est\u00e1 sendo v\u00edtima de trabalho an\u00e1logo ao escravo, como por exemplo a explora\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, o casamento servil, o trabalho com jornadas excessivas, entre outras situa\u00e7\u00f5es. A sociedade precisa estar alerta, pois isto pode estar acontecendo sob nossos olhos\u201d, alertou a secret\u00e1ria.<br \/>\nCom uma rede de combate e aten\u00e7\u00e3o estruturada, ela conta que Secretaria da Mulher e Assuntos da Fam\u00edlia de Apucarana acompanhou, somente neste primeiro semestre de 2017, quase 1,5 mil v\u00edtimas de algum tipo de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Os servi\u00e7os de atendimento \u00e0s mulheres s\u00e3o feitos atrav\u00e9s do Centro de Apoio \u00e0 Mulher (CAM), que fica na Rua Ouro Verde, 300, no Jardim Am\u00e9rica, regi\u00e3o oeste da cidade. Este acompanhamento \u00e9 realizado atrav\u00e9s de servi\u00e7os de apoio nas \u00e1reas psicol\u00f3gica, social e jur\u00eddica. O telefone de contato \u00e9 o 3422-4479. J\u00e1 den\u00fancias de viol\u00eancia devem ser comunicadas pelos telefones 180 ou 190.<br \/>\nDurante o evento, o juiz de Direito da 2\u00aa Vara Criminal de Apucarana, Dr. Osvaldo Soares Neto, se disse \u201cenvaidecido\u201d por estar em uma comarca que conta com uma rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher v\u00edtima de viol\u00eancia. \u201cParabenizo a secret\u00e1ria Denise e toda sua equipe, que atuam com grande afinco no atendimento \u00e0 mulher, buscando dar toda assessoria necess\u00e1ria nesse momento, seja psicol\u00f3gico, social ou jur\u00eddico\u201d, pontuou o magistrado.<br \/>\nEle destacou a parceria do Poder Judici\u00e1rio com a Prefeitura de Apucarana. \u201cTemos um trabalho em conjunto com a Secretaria da Mulher direcionado \u00e0s mulheres presas, que muitas vezes ingressaram no mundo do crime em raz\u00e3o de seus companheiros. E este projeto tem levado dignidade a elas, ensinando algum tipo de of\u00edcio para que quando sa\u00edrem possam melhor reingressar \u00e0 vida em sociedade tendo sua renda independente de outras pessoas\u201d, exemplificou Dr. Osvaldo. Ele tamb\u00e9m parabenizou pela iniciativa do evento e destacou que as v\u00edtimas de viol\u00eancia t\u00eam, em Apucarana ju\u00edzes, comprometidos com a celeridade dos processos. \u201cPara que a justi\u00e7a chegue e n\u00e3o seja tardia\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A iniciativa foi uma promo\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Comiss\u00e3o da Mulher Advogada, com apoio da Secretaria da Mulher e Assuntos da Fam\u00edlia da Prefeitura de Apucarana, por meio do Centro de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher (CAM)<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":9047,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-9038","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9038"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9038\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":102118,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9038\/revisions\/102118"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.apucarana.pr.gov.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}